Condenado em 2018 a mais de 64 anos de prisão, professor deverá fazer pagamento para “reparação de males causados” a outra vítima de abusos. Ele é acusado de abusar sexualmente de diversas vítimas, entre dezembro de 2016 e junho de 2017.
O professor Deivid Almeida Lopes, de 38 anos,que abusou e matou o menino Kauan de 9 anos, em 2017, teve mais uma derrota na Justiça de Mato Grosso do Sul nesta quarta-feira (9). Ele foi condenado a pagar R$ 100 mil a outra vítima de abusos, de 13 anos, como indenização por danos morais. A sentença é da 4ª Vara Cível de Campo Grande e foi divulgada pelo Poder Judiciário do estado nesta sexta.
Representado pelos pais, o menor ingressou na justiça por estar com sequelas psicológicas dos abusos cometidos. Segundo os fatos narrados no processo, entre dezembro de 2016 e junho de 2017, o professor convidava menores para sua casa, local onde exibia filmes pornográficos, instigava-os a se tocarem e fornecia dinheiro em troca de favores sexuais.
O homem negou o crime e ainda alegou que o valor era abusivo e ilegal. Na ação, porém, a juíza ressaltou que ficou comprovado nos autos penais o crime ocorrido, inclusive tendo a decisão tornando-se definitiva posteriormente. Em junho de 2018, o homem foi condenado por várias das denúncias, tendo recebido pena de 66 anos. Ele apelou da decisão, mas teve o recurso negado em março de 2019.
“O estupro praticado pelo réu implica atentado à liberdade sexual da vítima, que à época contava com poucos anos de idade, situação profundamente constrangedora que acarreta evidente sofrimento íntimo e abalo de ordem moral. Tal dano decorre da força dos próprios fatos, pela dimensão do fato e sua natural repercussão na esfera do lesado, sendo impossível deixar de imaginar que o dano não se configurou”, ressaltou a juíza.
RELEMBRE O CASO
/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2017/07/24/ms2_kauan_desfecho_2.jpg)
Desaparecido Kauan 9 anos Campo Grande MS — Foto: Reprodução/ TV Morena
Kauan Andrade dos Santos, de 9 anos, morreuasfixiado enquanto estuprado A ponte onde ele teria sido jogado fica a 200 metros da casa dele. O Corpo de Bombeiros fez inúmeras buscas no local e militares comentaram a dificuldade em encontrar algo, por conta da água muito suja, árvores e galhos nas margens, além da quantidade de lixo no rio.
Foram 10 dias de buscas em que bombeiros vasculharam o rio em diferentes pontos, na região do Aero Rancho e próximo ao Hospital Regional, na região sul da cidade. Ao todo, a polícia concluiu que 4 adolescentes, com idades entre 14 e 15 anos, também participaram o crime, ajudando a sufocar e inclusive esquartejando o menino. Estes envolvidos também eram abusados pelo professor, que os oferecia quantias entre R$ 5 a R$ 10.
O professor também foi acusado de outros dois estupros de vulnerável, quatro estupros, seis induzimentos à prostituição, além de uma contravenção penal de molestar adolescente. O delegado Paulo Sérgio Lauretto coordenou a investigação. O trabalho se concentrou na produção de provas, já que o corpo nunca foi encontrado e o acusado não confessou o crime. “Crime de natureza sexual envolvendo crianças e adolescentes, as pessoas dificilmente admitem. O acusado nunca confessou o crime”, comentou.
Em junho de 2018, Deivid foi condenado a 64 anos, 11 meses e 6 dias de reclusão, além de 1 ano e 3 meses de detenção, mais 15 dias de prisão simples e pagamento de 31 dias-multa, em regime fechado. Somadas, as penas ultrapassam pouco mais de 66 anos de reclusão.