Defesas de PMs soltos após morte em abordagem negam tiro pelas costas da vítima

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As defesas dos policiais militares Thiago Germano de Figueiredo e Enilton Cintra Duarte afirmam que o vídeo da abordagem que terminou com a morte de Welington dos Santos Vieira, de 27 anos, em Anastácio, não mostra o momento do disparo.

Segundo os advogados, o jovem já estaria ferido quando aparece correndo nas imagens e teria sido baleado após avançar contra os agentes.Os dois policiais foram presos em Março e soltos na quarta-feira (8), mas seguem investigados pela Corregedoria da Polícia Militar.

A advogada Katiussa Prado, que defende Thiago Germano e faz parte do setor jurídico da Associação de Praças de Policiais e Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul (ASPRA-MS), disse que o disparo teria ocorrido antes do trecho registrado pelas câmeras.

Segundo a advogada, o confronto teria ocorrido em uma esquina antes do local filmado. Depois de ser atingido, Welington ainda teria corrido por alguns metros até cair
“A dinâmica dos fatos descrita no boletim não exclui a existência de deslocamento prévio do suspeito (corrida), tratando-se, ao que tudo indica, de uma imprecisão redacional, e não de contradição substancial”, disse. A advogada também afirmou que o boletim foi feito sob “forte carga emocional e operacional”, porque os policiais estariam em situação de risco.


“Não é possível, com precisão, individualizar qual dos disparos atingiu a vítima, sendo certo que houve dois disparos praticamente simultâneos”, afirmou. Ainda segundo Katiussa, os dois policiais atiraram, mas apenas um disparo atingiu Welington.

Ela afirmou que a perícia preliminar apontou que o projétil entrou pela parte da frente do rosto e seguiu em direção à nuca. Para a defesa, isso descartaria a hipótese de tiro pelas costas.

O advogado Edmar Soares da Silva, que defende Enilton Cintra Duarte e é presidente da Associação e Centro Social dos Militares Estaduais e Pensionistas de Mato Grosso do Sul (ACSMP/MS), também afirma que Welington foi baleado antes do trecho mostrado no vídeo.

Segundo Edmar, os disparos aconteceram cerca de 20 metros antes do local onde Welington caiu. Ele também afirma que a perícia teria analisado apenas o ponto onde a vítima caiu, e não onde o confronto teria ocorrido.
“Não há possibilidade de o policial estar recolhendo cápsulas no chão, pois a pistola utilizada ejeta as cápsulas lateralmente. Portanto, essa versão é fantasiosa”, afirmou.
A defesa de Enilton afirma que Welington teria jogado uma faca durante a tentativa de fuga. Segundo o advogado, o objeto foi recolhido e entregue para perícia.

Edmar disse ainda que Enilton prestou depoimento na quinta-feira (9), um dia após deixar a prisão, e manteve a mesma versão apresentada desde o início.

“A perícia é quem vai apontar qual disparo atingiu a vítima. Após os depoimentos, a autoridade policial militar elaborará relatório e encaminhará ao Ministério Público, que decidirá sobre eventual denúncia”, disse.

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