Polícia investiga uso de IA para criar e vender nudes falsos de adolescentes em escola

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A Polícia Civil investiga casos de deepfake envolvendo adolescentes em uma escola particular de Campo Grande. Segundo a denúncia de uma das vítimas,colegas são suspeitos de terem usado inteligência artificial (IA) para criar nudes falsos de alunas e vender as imagens manipuladas em grupos de mensagens.

Pelo menos cinco meninas teriam sido vítimas. Acompanhada da mãe, uma das adolescentes relatou como descobriu a montagem feita por deepfake e os traumas após ver o rosto em um nude falso. As identidades da mãe e da menina foram preservadas.
“As montagens foram feitas por três colegas de turma. No momento que eu fiquei sabendo, na verdade eu senti muita raiva. Tem vezes que eu acordo e não lembro muito, tento esquecer. Só que tem vezes que eu me olho no espelho e eu me sinto suja. Eu sei que o corpo nas fotos não era meu, mas o rosto era”, disse a menina.

O caso é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude (Deaji). Conforme o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), o ato infracional apurado é tipificado como “participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual”.O ECA estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ou seja, não podem responder por crimes com base no Código Penal. Nesses casos, quando cometem uma conduta prevista como contravenção, o ato é classificado como ato infracional. Em vez de penas, como ocorre com adultos, crianças e adolescentes estão sujeitos a medidas socioeducativas previstas na própria legislação.

Conforme a denúncia da mãe da adolescente, ao menos cinco meninas foram vítimas da adulteração das imagens. Todas tiveram fotos manipuladas e vendidas por cerca de R$ 50 em grupos de mensagens.

“Uma amiga minha, que também sofreu isso, recebeu um áudio dizendo que esse menino tinha pegado foto nossa, colocado na Inteligência Artificial, tirado nossa roupa, e ele tinha feito um grupo com mais dois amigos e estava divulgando essas fotos lá”, contou a adolescente de 15 anos.

A adolescente conta que procurou o menino suspeito, que confessou a manipulação das imagens.

“No momento em que eu fiquei sabendo senti muita, muita raiva. Só que na hora que eu desci para confrontar ele parecia que eu tinha perdido o chão. Conversei com ele, perguntei o porque tinha feito isso, ele não soube dar uma resposta”, conta chorando.

A mãe relata que, ao descobrir o caso, buscou a filha na escola e procurou a polícia.

“Quando eu cheguei na escola, um desses meninos estava conversando com a minha filha e assumiu que havia pegado fotos dela, colocado na inteligência artificial e manipulado as imagens. A primeira reação foi ir para a delegacia. Isso é um crime e precisa ser investigado”, contou a mãe da menina.

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