Um servidor privado investigado pelo Discord em meio ao caso da morte de Lívia, de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, só podia ser acessado por convite e não era encontrado por outros usuários da plataforma. Segundo a empresa, pessoas envolvidas em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação no espaço, desativado antes da morte da adolescente.Nesta terça-feira (15), quando seis adolescentes foram apreendidos na segunda fase da Operação Lívia. Segundo a Polícia Civil, eles faziam parte de grupos virtuais violentos, conhecidos como “panelas”, e tiveram participação no caso.A empresa não informou quantas pessoas participavam do servidor nem quem administrava o espaço.
O Discord também afirmou que o caso envolveu diferentes plataformas e que o governo compartilhou evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outro serviço. A empresa não informou qual.A segunda fase da Operação Lívia foi realizada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio da investigação cibernética e do CyberLab.Foram cumpridos seis mandados contra adolescentes de 14 a 17 anos no Rio de Janeiro e São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Os novos alvos foram identificados após a análise de celulares e outros materiais apreendidos na primeira fase. Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a polícia continua tentando identificar todas as pessoas que participavam das “panelas” e tiveram relação com a morte de Lívia.Segundo a investigação, as “panelas” tinham administradores, pessoas responsáveis por atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam os chamados “eventos”.
Os grupos também disputavam reconhecimento: quanto mais extremo o conteúdo produzido, maior seria o prestígio entre os integrantes. Para a polícia, a morte de Lívia teria representado o ponto máximo de violência buscado pelo grupo investigado.As vítimas eram procuradas em redes sociais e plataformas de conversa. A aproximação começava de forma aparentemente amistosa e, em alguns casos, os investigados se passavam por pessoas da mesma idade ou do mesmo sexo para conquistar a confiança dos adolescentes.
Depois, apresentavam os grupos. Quando a vítima não aceitava participar, poderiam começar as ameaças. A polícia encontrou casos em que nomes, telefones e fotos de familiares eram usados para intimidá-las.
O Discord também afirmou que o caso teve atividades em diferentes plataformas e disse considerar que vem sendo tratado de forma isolada no debate público. Segundo a empresa, “o governo compartilhou com o Discord evidências indicando que a morte da adolescente ocorreu em outra plataforma”.A empresa também negou falta de cooperação com as autoridades brasileiras. Segundo o Discord, mantém diálogo com a Advocacia-Geral da União (AGU), concordou, em princípio, com os termos apresentados pelo órgão e entregou três versões de uma proposta.
A plataforma afirma que foi a AGU que encerrou as negociações e diz que a falta de coordenação entre órgãos federais e de clareza sobre as medidas solicitadas tem dificultado as discussões.
O Discord também rebateu a caracterização feita pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e afirmou que grupos ou indivíduos que promovam ou incentivem violência “não têm lugar” na plataforma.
Segundo a empresa, equipes especializadas atuam para identificar ameaças, possíveis vítimas e grupos violentos, além de remover conteúdos e usuários que violem suas políticas e fornecer informações às autoridades quando necessário.
Atualmente, o Discord continua disponível no Brasil, mas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real estão suspensas. Mensagens, servidores, canais de voz e chamadas somente de áudio continuam funcionando, segundo a empresa.
Cerca de 90% dos integrantes identificados até agora são adolescentes. Um adulto também foi identificado. A polícia encontrou ainda outras possíveis vítimas, algumas das quais não haviam contado aos pais que estavam sendo ameaçadas ou manipuladas.“O Discord tem um profundo compromisso com a segurança dos usuários e queremos que nossa plataforma de comunicação seja o melhor lugar para amigos se conectarem antes, durante e depois de jogar. Utilizamos uma combinação de tecnologia avançada e equipes de segurança especializadas para identificar e remover proativamente conteúdos que violem nossas políticas. Mantemos sistemas robustos destinados a prevenir a disseminação de exploração sexual e aliciamento em nossa plataforma e também trabalhamos com outras empresas de tecnologia e organizações de segurança para aprimorar a segurança online em toda a internet. Nossos Termos de Serviço exigem que todos os usuários tenham pelo menos 13 anos para usar o Discord e a Central da Família oferece a pais e responsáveis ferramentas para ajudar seus adolescentes a terem uma experiência online mais segura, preservando sua privacidade. Seguimos totalmente comprometidos em cooperar com as autoridades locais neste caso.”









