Após apelo da vítima, Justiça solta mulher que ateou fogo no marido

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Dois dias após o servidor federal gravar um vídeo inocentando a esposa da acusação de tê-lo queimado durante uma discussão, a Justiça de Mato Grosso do Sul,revogou a prisão da médica veterinária, que estava detida desde 22 de junho. O caso ocorreu em uma residência no bairro Santa Luzia, em Campo Grande.

A informação foi confirmada pelo advogado Jonatas de Paula dos Reis, que atua na defesa da mulher. O alvará de soltura será cumprido neste sábado (4), mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica. 

Na quinta-feira (2), o servidor federal gravou um vídeo explicando a versão dos fatos e afirmou que a companheira não teve a intenção de machucá-lo. 

No relato, o homem contou que a mulher jogou álcool na mochila dele durante o desentendimento, mas que saiu do cômodo para fumar. Nesse instante, ele a seguiu para continuar a conversa. 

“Nesse momento eu não sei o que aconteceu direito, foi tão rápido, porque estava de dia e a gente não enxerga direito o fogo. Eu não lembro se ela foi atacar a bituca e pegou perto do meu pé, eu sei que na hora que pegou o fogo eu já saí rolando pra apagar e ela veio tentar apagar também, me ajudou. Ela que arrancou a minha blusa que tava pegando fogo e até ela queimou a mão dela também”, disse. 

A médica veterinária estava presa após o marido dar entrada em um hospital particular da cidade, com queimaduras de 2º grau pelo corpo. A unidade de saúde acionou a polícia, que prendeu a mulher durante visita ao paciente. 

O servidor afirmou, ainda, que as queimaduras de 2º grau atingiram no máximo 40% do corpo dele e não 80, como havia sido informado no boletim de ocorrência.

“Aconteceu isso naquele momento, ela foi a pessoa que me socorreu, que me levou correndo pro hospital. Eu até falei pra ela: vai com calma e ela foi desesperada. Então, eu queria deixar a minha palavra, a minha versão dos fatos que aconteceram. Minha família tá muito desestruturada sem eu, eu tô aqui no hospital, tô me recuperando bem […] e ela tá longe de casa. Então, eu acho que pras crianças, a nossa filha de 22 anos tá muito pesado pra ela coordenar todas essas coisas da casa”, destacou.

Por fim, a vítima pediu a oportunidade de ser ouvida e reforçou que a esposa sempre foi companheira.

“Se eu puder falar alguma coisa e reforçar que ela sempre foi uma companheira. Eu acho que ela não teve intenção, dentro dos problemas que ela tinha, psiquiátricos, envolvia esses momentos que ela tinha um desnorte”, finalizou.

O Ministério Público denunciou a mulher por homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo.

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